• Leonardo Amaro

Duke Nukem Forever e o Retorno de um Brucutu

Duke Nukem retornou ao mundo dos games com seu mais novo jogo: Duke Nukem Forever, lançado em 2011. Após 15 anos de produção, um dos maiores brucutus dos games da década de 1990 volta a pegar armas contra uma nova invasão alienígena para salvar a Terra.


A primeira vez que vi Duke Nukem ele se chamava Duke Nukum. Era um jogo de tiro side-scrolling 2D criado pela equipe composta por Allen Blum, George Broussard, Todd Replogle e Scott Miller e  lançado em julho de 1991 pela antiga Apogee Software (a futuramente falida 3D Realms). Era bem simples devido à época e você era o “cara” escolhido pelo governo para combater um cientista maluco (receita básica das aventuras cinematográficas da década de 1980) chamado Dr. Proton, que queria dominar o mundo com seus exércitos de TechBots. A história se passava no “futuro próximo” de 1997 na cidade de Los Angeles. Eu joguei a versão shareware que era incluso num CD-ROM cheio de pequenos jogos como este lá nos idos de 1996.


Tela de introdução do primeiro jogo


O nome Duke Nukum foi devido a questões de direitos autorais que a Apogee achou que iria infrigir devido a um personagem de um jogo japonês, mas posteriormente descobriu que Duke Nukem não estava registrado e o utilizou na sequência.

Dentro daquele mesmo CD-ROM que eu tinha também vinha Duke Nukem II. O jogo era muito semelhante ao anterior, mas muito mais colorido e com novos power-ups e armas. A história se passava no ano seguinte ao primeiro, no “futuro próximo” de 1998. Enquanto Duke Nukem estava numa entrevista falando sobre a vitória contra o Dr. Proton e sobre sua autobiografia intitulada Why I´m So Great, alienígenas chamados Rigelatins planejavam conquistar a Terra e para tanto sequestraram Duke e controlaram seu cérebro para que liderasse a invasão. Porém, Duke se liberta do controle para salvar a humanidade novamente. Foi lançado em dezembro de 1993.


Uma das telas de fase de Duke Nukem II



Tela de introdução do segundo jogo


Então veio Duke Nukem 3D em janeiro de 1996 lançado pela antiga 3D Realms. Consegui o jogo completo somente entre 1997 e 1998 através das antigas revistas de banca de jornal que acompanhava um jogo completo por edição (se não me engano, era da extinta e curtíssima revista SENHA). Este jogo “explodiu minha cabeça”, pois eu já era louco por First Person Shooters (FPS ou jogos de tiro em primeira pessoa) desde que botei minhas mãos em Doom e Heretic em 1996 (ambos da id Software). Com cenários em 3D, Duke Nukem superou os jogos da id Software em qualidade e caracterização de personagem. Trazia vilões terríveis como os javalis humanoides, os alienígenas com jetpack que me lembravam o alienígena do filme Predador e polvos flutuantes com mandíbulas e raios destruidores, todos emitiam sons abismais que faziam enquanto caçavam e quando morriam (era assustador!).


A versão Atomic Edition



Ao clicar na barra de espaço, Duke dava dinheiro e a stripper dava um “showzinho”



Vilões


Duke se mostrou um brucutu de verdade, com tiradas sarcásticas e violência extrema contra os inimigos da humanidade e um narcisismo fora do comum (sempre que você se olhava no espelho, ele falava algum elogio a si mesmo). Da Terra para o espaço e de novo para a Terra, Duke eliminou a corja alienígena. Foi uma experiência incrível “estar na pele” de Duke Nukem neste jogo com cenários incríveis e excelente level design.

Por isso, não é à toa que as pessoas, os fãs como eu, esperavam tanto por Duke Nukem Forever. Apesar de ter havido vários jogos que não passavam de versões de Duke Nukem 3D para os consoles e um side-scrolling tridimensional  chamado Project Manhattan, nenhum substituiria o tão esperado sucessor da versão 3D para PC. Após quinze anos e vários percalços, problemas de direção, falta de dinheiro, excesso de prazos e adiamentos, processo judicial e “excesso de criatividade”, a antiga equipe da falida 3D Realms — agora chamada de TripTych Games –, com apoio da Gearbox Software e da Piranha Games, lançou Duke Nukem Forever através da publisher 2K Games em 2011.


Duke e suas “babes”


DNF foi lançado sob várias críticas do meio especializado. Muitos odiaram o jogo, principalmente o fãs devido a diversos problemas de qualidade.

Jogando hoje, para Playstation 3, eu vejo que o grande problema do novo Duke Nukem foi o excesso de expectativa. Foram 15 ANOS ouvindo e vendo notícias de que o  jogo seria lançado “logo, logo” e que seria incrível. As pessoas esperavam o melhor jogo de todos os tempos, com gráficos excelentes e um Super Duke Nukem! E acabou saindo um FPS mediano.

Na minha opinião, o jogo não é tão ruim assim, mas apenas medíocre. O grande motivo desse resultado é que não foram 15 anos de desenvolvimento, mas sim 15 anos criando, recriando e jogando fora toda a produção anterior para começar tudo de novo. O produto final deve ter sido desenvolvido em dois ou três anos no máximo. Os outros doze anos foram jogados no lixo!

Duke Nukem Forever é um jogo que cumpre seu objetivo que é entreter – exceto quando temos que esperar as demoras telas de carregamento. Para os fãs, há alguns momentos de nostalgia, como as mulheres que os alienígenas prendem para poderem se reproduzir e as mulheres que Duke quer seduzir. Os gráficos são razoáveis, o jogador só pode ter duas armas de cada vez (tendência dos FPS modernos), os vilões são quase os mesmos do jogo anterior e há o retorno das frases de efeito que diferenciou Duke entre os personagens da década de 1990. A grande reclamação foi não terem modernizado o Sr. Nukem para os dias de hoje, pois realmente o personagem é um brucutu baseado nos brucutus do cinema das décadas de 1980 e 1990. Os desenvolvedores poderiam ter feito essa modernização, mas se arriscariam a descaracterizar o personagem e ele poderia se tornar mais um Marcus Phoenix (Gears of War), Grayson Hunt (BulletStorm), Kratos (God of War), Titus (Space Marines), etc.

Quanto à história: os alienígenas voltam para a Terra, mas desta vez com mensagens de paz. Por isso, o presidente dos EUA proíbe Duke Nukem de intervir. Todavia, ao chegarem no planeta os invasores começam a atacar Duke Nukem, o seu maior inimigo, e o império que Duke construiu — pois agora o herói do mundo tem riqueza e fama, o que inclui o cassino Lady Killer e vários investimentos como o Duke´s Burger e seu próprio talk show televisivo. As primeiras vítimas são as mulheres, que são capturadas para reproduzirem novos seres extraterrestres, semelhante ao que acontece em Duke Nukem 3D.

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Por fim, para quem quer apenas um FPS divertido para passar o tempo, eu recomendo comprarem e jogarem, sim. Mas recomendo mesmo para o pessoal que se divertiu com Duke Nukem 3D e querem ver um pouco mais da “safadeza” do Sr. Duke Nukem.

Mas o que é brucutu? De onde veio este termo?

ORIGEM DO BRUCUTU

Muitos entendiam que o termo  “brucutu” veio do nome de um personagem de história em quadrinhos publicadas no Brasil cujo título era Brucutú na década de 1960. Importado das tirinhas de jornal publicadas nos EUA desde 1932, o nome original do personagem era Alley Oop, criado por Vincent T. Hamlin.


Alley Oop era o homem primitivo que vivia na antiga terra de Moo (ou “Mu”) e vivia diversas aventuras e até chegou a viajar no tempo.

Conforme José Pinto de Queiroz Filho, do site Portal do Gibi Nostalgia, o termo brucutu é muito mais antigo:

De acordo com a Prefeitura de São Gonçalo do Rio Abaixo, documentos do século XVIII referem-se à região como “Fazenda Brucutu”, na época propriedade de Manoel Martins Ferreira. Sem consenso, o termo viria provavelmente da palavra de etimologia tupi “borocotó“, que significa “terreno escabroso, com muitos altos e baixos, escavado ou obstruído de pedras” e também “disforme” e “abrupto”. Ou seja, algo bruto, grosserios, feio.

Com certeza o personagem Brucutu popularizou esta palavra e serviu para designar pessoas com as suas qualidades, isto é, pessoas feias, grandes, fortes, brutas e não civilizadas. E como o termo é muito semelhante à palavra “bruto”, é fácil entender porque começou a ser qualidade de pessoa e não apenas de um terreno. Os estadunidenses gostam da frase badass motherfucker, mas eu prefiro meu brasileiríssimo brucutu.

Games também são cultura!

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