Fala galera, tudo certo? Escrevemos lá por fevereiro, uma lista com alguns Filmes Insanos (sobre pessoas insanas, para ser mais específico). Essa lista tinha filmes como Um Estranho no Ninho e Clube da Luta – dois clássicos quando o assunto são psicopatas. De toda forma, faltou falar de um deles em especial – que inclusive era o thumbnail do artigo na home de nosso site.

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O filme em questão é Psicopata Americano – tradução de American Psycho. Você pode nunca ter ouvido falar sobre o filme. Mas com certeza já viu a imagem que ilustra este artigo em vários memes na internet. Isso se deu, sobretudo, porque o filme adquiriu um status de cult. Não é e nunca foi um filme de massas, um filme blockbuster – como os diversos filmes Vingadores do momento.

A estrela do filme é Patrick Bateman (Christian Bale, da trilogia Batman/Dark Knight). Rico, esnobe, bonito, com o corpo malhado, Bateman apareceu pela primeira vez ao mundo em romance homônimo (de onde o filme foi baseado), escritor por Bret Easton Ellis no final da década de 1980.

Antes de ir ao filme, feita essa contextualização inicial, que tal se entendêssemos o título do filme? Bom, é certo que Bateman, o personagem título, é um psicopata. Mas por quê… Americano? Não, isso não vem do simples fato dele ter nascido nos Estados Unidos. A película, lançada em 2000, remonta aos valores culturais em voga nos Estados Unidos da década de 1980.

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A nação estava se recuperando das duas crises do petróleo – 1973 e 1978 – e estava com uma prosperidade – embasada no liberalismo da Administração Reagan – nunca antes vista. Surgiu, então, um novo tipo social, o Yuppie. A definição deste era antagônica ao Hippie, da geração anterior. O Yuppie nada mais era do que o jovem trabalhador urbano – mormente ligado ao mercado financeiro – e formado em uma das universidades da Ivy League (elite da educação americana, composta por universidades como Harvard, Columbia, Yale e etc).

Bateman é um Yuppie. E pior: ele nem merece estar ali, é apenas filho de um dos diretores da corretora (Mergers and Aquisitions – tradução: Fusões e Aquisições –torna-se Murders and Executions – tradução: Assassinatos e Execuções – em um dos delírios de Bateman). Patrick não faz absolutamente nada o dia todo: apenas vê TV, faz desenhos em sua agenda. O filme se passa nos anos 80; mas se fosse nos dias atuais, com certeza Bateman passaria a tarde toda jogando poker na internet.

O ponto do filme é justamente esse. Bateman não aparenta ser um psicopata. Ele aparenta ser um homem médio, um americano qualquer. A noite ele chama prostitutas para sua casa e, após realizar sexo com elas – com direito a espelhos no quarto e câmeras filmando – ao som de clássicos dos anos 80, como Sussudio de Phil Collins, ele as assassina de moto cruel, de modo insano. A mensagem do filme acaba por justamente essa: qualquer um pode ser um psicopata, haja vista que é impossível julgar um livro pela capa. Qualquer um pode ser maluco, ou coisas do gênero. E no final do filme (SPOILER, SE NUNCA VIU O FILME, NÃO LEIA!) nós sequer temos certeza que Bateman era um deles.